Compulsão alimentar

O termo compulsão alimentar se refere a episódios de comer em excesso caracterizados pelo consumo de grandes quantidades de comida em intervalos curtos de tempo, seguido por uma sensação de perda de controle sobre o que se está comendo. Em 1959, Stunkard descreveu este fenômeno clínico em indivíduos obesos. Mais recentemente, o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth Edition (DSM-IV), incluiu o episódio de compulsão alimentar como um componente principal na definição da bulimia nervosa (BN) e também de uma nova categoria diagnosticada que é denominada transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), sendo definido como um transtorno alimentar caracterizado pelo consumo repetido de quantidades excepcionalmente grandes de alimentos (comer compulsivamente) acompanhado de um sentimento de perda de controle durante o episódio de compulsão alimentar. Brandão et al. (2011) investigaram os hormônios que regulam o início e o término da sensação de fome e os resultados apontam que esses hormônios têm um papel ativo no comportamento alimentar dos indivíduos com compulsão. Então podemos diante disto observar que a compulsão pode ser produzida não apenas pelo que se come e vicia, mas também pelo que deixamos de comer, já que a regulação hormonal, neuronal, intestinal, tecidual, depende diretamente do que fornecemos ao nosso corpo. Entretanto, existem algumas evidências que sugerem que a compulsão alimentar, um fenômeno clínico freqüentemente observado, pode responder a diferentes abordagens farmacológicas, que devem ser investigadas e acompanhadas por um profissional qualificado(a).


Tem muita gente comendo, exagerando e ausentando-se do saudável por diversas justificativas que por muitas vezes há uma ou várias soluções. Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 4,7% da população mundial sofre de Transtorno Compulsivo Alimentar, contudo, em meus atendimentos, verifico que essa porcentagem é muito maior, pelo menos em afirmação do próprio paciente, que por muitas vezes também, descobre no decorrer do processo que não é "vítima" da patologia em sí, mas das desculpas que acometem a mente humana para comer o que é gostoso, viciante e agradável ao paladar. Um exemplo disso é o açúcar que vicia o cérebro ao estimular a produção de um hormônio chamado dopamina, que é responsável pela sensação de prazer e bem estar, fazendo com que o organismo fique viciado nesta droga, observando assim, que hoje quase 90% de tudo que é vendido no supermercado tem açúcar, não se engane porquê não come chocolate ou sorvete todos os dias, alguma coisa do seu consumo excessivo provavelmente tem o mesmo ingrediente da nutella, do refrigerante, das massas e alimentos refinados: açúcar!


Estar viciado(a), ansioso(a), preocupado, com fome, entediado(a) é muito diferente de estar compulsivo(a), uma característica que o diagnóstica a patologia em questão é a culpa, que costuma acontecer repetidamente. Esse sentimento é muito importante para identificar que está exagerando no que não deve, evitando assim: aumento no volume do consumo alimentar, ansiedade, depressão, compulsão patológica, bulimia, etc. Em tempos de rede social, cultura da magreza e modismo de dieta, muitas pessoas ficam mais vulneráveis a desenvolver problemas de saúde mental, podendo se unir aos distúrbios relacionado a alimentação. Esse tipo de comportamento é influenciado por condições sociais, demográficas e culturais, pela percepção individual e dos alimentos, por experiências prévias e pelo estado nutricional. Sendo assim vou pontuar a seguir o que deve-se fazer para que seja evitado a compulsão alimentar, assim como suas variações:


  1. Procurar um nutricionista para que seja feita uma dieta balanceada, feliz e nutritiva. Nutrientes como B12, B9, B6, L-theanina, resveratrol, NAC, ômega-3, zinco, selênio, magnésio e vitamina E são de fundamental importância para o bom funcionamento do corpo, regular todos os neurotransmissores envolvidos e ter boas respostas ao tratamento/prevenção, assim como a manutenção do peso.

  2. Fazer terapia cognitiva e comportamental que busca eliminar estratégias compensatórias, distorções cognitivas, pensamentos automáticos e crenças.

  3. Aprender que diferente da emocional, a fome física é a necessidade fisiológica que temos de comer. Ela não é ligada a um alimento exclusivo, nem um sinal de emoção. É uma forma de suprir a falta de energia de nosso corpo com alimentos variados. A fome emocional é o equivalente a comer a partir de emoções.

  4. Evitar o ciclo vicioso do consumo de açúcar, carboidratos como farinha branca, macarrão comum, refrigerantes, que são absorvidos rapidamente pelo corpo e aumenta glicose no sangue, que libera insulina para colocar a glicose do sangue dentro da célula. Depois que o pico termina, a pessoa fica com vontade de comer novamente, criando um vício.

  5. Durma melhor, evitando a síndrome do comer noturno. Quanto mais você ficar acordado(a) é possível que exista um aumento da necessidade de ingestão de alimentos/produtos alimentícios. O sono também é importante para produção adequada hormonal e que haja menos stress no dia seguinte!

  6. Faça exercício físico todos os dias. As atividades físicas, quando praticadas regularmente, ajudam o corpo naturalmente produzir mais serotonina e endorfina, neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e que ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade. Isso causa a chamada “estabilização afetiva”, que auxilia no desenvolvimento de autocontrole para diversos setores da vida, inclusive alimentação.

  7. Visualize se o ambiente que você cria, frequenta e gosta é o que pode estar te levando a comer mais, exageradamente ou com menor qualidade nutritiva. Digo isso, porquê se você tiver brigadeiro, pizza, refrigerantes, suco de caixinha e outros em sua geladeira, é claro que você vai consumir mais e mais. Primeiro passo é retirar esses alimentos de baixo valor nutricional do seu dia-dia para que a alimentação seja teu remédio e não a tua doença.

  8. Mastigue melhor os alimentos, melhorando a comunicação do centro da fome e da saciedade, reduzindo assim a frequência e quantidade que tem que comer para sentir-se satisfeito(a).

  9. Cuide do seu intestino. Existe o órgão esquecido, chamado microbioma que representa 90% de todo o seu organismo, composto por bactérias negativas e positivas. A primeira é alimentada por açúcar e gorduras transgênicas, que quando aumentadas(proliferadas), querem ainda mais esses ítens, sentindo fome por você, enviando uma mensagem para seu cérebro que é necessário consumi-los.

  10. Muito importante também, é o SOL. Pessoas com baixos níveis de Vitamina D têm maior compulsão alimentar. A pandemia do Coronavírus acendeu na população a luz de alerta sobre a importância desta vitamina. Em um estudo recente, publicado em maio/2021 no European Eating Disorders Review, os pesquisadores observaram a relação entre baixa vitamina D e comportamentos de impulso em pacientes com transtorno alimentar.


Anote ai a dica mestre: Compulsão por salgado você pode precisar de L-tirosina, por doces você pode precisar de l-triptofano. Mas o mais importante de tudo é quando você for comer, pergunte-se: "Eu preciso mesmo disso?" ; "Eu estou com fome?"; "Eu vou sentir culpa por isso?" ; "O alimento que manda em mim?" e com isso tenha um controle prévio, melhorando a sua qualidade de vida, seus pensamentos e vivendo a vida de forma mais satisfatória e feliz!


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Jayme Assunção

CRN 11090

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