Emagrecimento, taxa metabólica basal, glicemia: Qual a relação?

Quem não quer emagrecer? Quantas pessoas dizem de boca cheia: "Meu metabolismo é lento!". Quantos de nós humanos estamos com a famosa pochete, mesmo tendo um corpo "slim" no aspecto geral, e de repente começa a fazer atividade física aeróbica com uma combinação que julga-se perfeita: correr e restrição calórica, dietas restritivas e cada vez mais medicamentos, fórmulas e tratamentos mirabolantes. Tem gente que coloca argila, anda com citas térmicas e até se joga em cirurgias como a nova e famosa lipo lad. Gostaria de começar esse texto dizendo que existe um mal metabólico maior do que esses três fatores determinantes na saúde do ser humano: a preguiça. Em um texto anterior falei sobre a teoria do envelhecimento relacionada aos telômeros que reduzem a sua capacidade de funcionamento, pelo simples motivo de ser liberado toxinas endógenas (produzidas pelo próprio organismo) quando há nutrição inadequada, ausência/pouca hidratação e o tão conhecido estresse oxidativo que é uma das principais causas de alterações metabólicas. O corpo está todo inflamado, com retenção de líquidos, sangue com péssima fluidez, fígado gordo e um coração cansado, ainda assim tem pessoas querendo que sua taxa metabólica seja eficiente? Vamos sair da disney e chegar ao mundo real neste texto.


Na literatura, Taxa metabólica basal (TMB) é a energia gasta por um indivíduo que repousa na cama, pela manhã, após 8 horas de sono e 12 horas de jejum, sob condições ambientais confortáveis (MCARDLE, KATCH & KATCH, 2003). Sendo assim, o exercício físico é uma alternativa não farmacológica para agir sobre os indicadores da síndrome metabólica e claramente qualidade de vida, longevidade e emagrecimento. Em treinamento resistido (com carga), é recrutado maior número de grupos musculares o que pode também acarretar maior gasto energético, devido ao aumento da utilização do glicogênio. Então o primeiro passo para melhorar seu metabolismo basal é dar aquele impulso, como acelerar um carro para ele andar mais e sequencialmente gastando mais combustível. A glicemia é a concentração de glicose no sangue ou mais precisamente no plasma. O nosso corpo transforma alguns dos hidratos de carbono ingeridos em glicose, ou melhor dizendo, se nós comermos um pedaço de cana de açúcar do tamanho do nosso dedo, o organismo vai quebrar ele todinho em micro moléculas chamada, repetindo: glicose. Parece mágica né? mas o nome disso é metabolismo. Vou te dizer 5 fatores essenciais para que exista uma boa relação entre glicemia e metabolismo basal:

  1. Para você não ter um acumulo de gordura na região abdominal durante a vida, você precisa gastar mais calorias por dia do que consome através da alimentação e bebidas.

  2. Cada restrição alimentar que é feita, você perde a capacidade do corpo de metabolizar nutrientes, inclusive a glicose. Quantas vezes as pessoas fazem dietas restritivas durante a vida e depois não obtém bons resultados?

  3. Com a redução da capacidade do metabolismo em quebrar açúcares, inclusive lactose e frutose, o pâncreas é agredido com informação incoerentes e possivelmente desenvolvendo uma resistência a insulina.

  4. Mastigar bem os alimentos é diretamente proporcional a velocidade do metabolismo.

  5. Se você sente sono após as refeições, procure um profissional para avaliar seu estado nutricional, físico e mental. O envelhecimento está batendo na sua porta!


Hoje sou pós-graduado em nutrição ortomolecular e esportiva que para mim sempre foi um sonho acompanhar atletas. Contudo, no decorrer dos primeiros atendimentos, acabei me deparando com necessidades de processos de emagrecimento e quando me vi, estava fazendo pessoas através de seus esforços perderem 20kg, 30kg, 40kg com dieta e treino. Entendi que esse objetivo de emagrecer e ter uma boa saúde da maior parte da população sobrepeso e obesa é algo primordial no trabalho de nutricionista clínico. Como sabemos obesidade é uma patologia e hoje temos uma cobrança triplicada com toda essa questão de comparar-se com todos e todas. Sou bom de falar de emagrecimento para quem aceita a verdade: não adianta você gastar 5, 10, 20, 30, 40, 50 mil reais em protocolos se você não tiver uma mudança de pensamento. Na casa das duas décadas de vida o ser humano aprende mais pelo esforço e antes disso com o exemplo, segundo a neurociência, todos temos a capacidade de modificar nossos comportamentos para obter melhores resultados: neuroplasticidade.


Então, emagrecer é uma obra de arte, onde precisarmos controlar os níveis de glicose no sangue, acelerar o metabolismo e ainda cuidar dos nossos pensamentos. Uma importante atenção aos níveis de glicose alto ou baixo e pessoas emagrecendo rápido demais é que quando o organismo não tem energia e também não consegue processá-la, ele necessita recorrer à outras fontes, como as reservas de gordura, propiciando a perda de peso, que pode ser intencional através de medicamentos ou por um estado perigoso de saúde. O cérebro especificamente consome 5,6 miligramas de glicose por cada 100 gramas de tecido cerebral por minuto, segundo Ramón de Cangas, da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética. Confirmando que glicose não é nocivo e sim necessário, mas posso dizer que existem alguns fatores que a tornam um possível problema, como por exemplo estes 5:


  1. Triglicerídeos elevados no sangue, dificultando a passagem da glicose, formando placas que podem aumentar no decorrer da vida e até chegar a entupir artérias.

  2. Picos de ansiedade. Diante de qualquer situação de estresse, seja ele emocional, cirúrgico ou infeccioso, a tendência da glicemia certamente é subir, isto ocorre devido à liberação de hormônios nas situações descritas que aumentam a glicemia, como o cortisol e adrenalina. Evite comer os docinhos se estiver neste momento.

  3. Resistência à insulina. Por precaução, se nos seus exames bioquímicos já aparece um valor acima de 10uU/ml, comece a fazer um acompanhamento anual para acompanhar os níveis séricos.

  4. Níveis elevados associados com tremedeira, arritmia cardíaca, confusão mental, tontura e visão embaçada.

  5. Falta de apetite, descontrole com açúcares e frequente vontade de urinar. A compulsão alimentar pode ser um sinal que existe tolerância à glicose desregulada!



JAYME ASSUNÇÃO

NUTRICIONISTA

CRN 11090




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