Homeostase Glicêmica: Isso vai te fazer emagrecer!

Quando começo a escrever sobre um tema gosto de deixar claro o significado de cada palavra utilizada, sendo assim: homeostase é a mesma coisa que equilíbrio e glicêmica está associado a glicemia, taxa glicêmica. Sobre a ótica da saúde não há como fugir de glicemia, diabetes e absorção de açúcares através da insulina, mas existem outros mecanismos importantes e associados a interação do organismo com este tipo de molécula. A grande maioria dos estudos epidemiológicos baseiam-se apenas nas alterações glicêmicas, mas hoje temos que ter uma visão mais ampla e integrativa do que vai provocar doenças, sintomas e estados físico relacionados ao desequilíbrio glicêmico, esses sinais não são tão aparentes, sendo muitas vezes silenciosos, e para você ter uma noção: 50% das pessoas diabéticas ainda não foram diagnosticadas. Segundo o ministério da saúde nós somos o 5º país em incidência de diabetes no mundo, com 16,8 milhões de doentes adultos (20 a 79 anos), perdendo apenas para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. A estimativa da incidência da doença em 2030 chega a 21,5 milhões. Então vou te ajudar a não estar nessa estatística, e caso já esteja, irei direcionar o conteúdo para que consiga viver em equilíbrio.


Existe uma ampla variedade de fatores para que aconteça um equilíbrio glicêmico: genética, ambiental e imunológico. A homeostase acontece de forma "automática" pelo seguinte processo: Se a concentração de glicose no sangue sobe acima do normal, insulina é liberada, o que estimula as células do corpo a remover a glicose do sangue. Se a concentração de glicose no sangue cai abaixo do nível normal, glucagon é liberado, o que estimula as células do corpo a liberarem glicose no sangue, quem é o comandante destes mecanismos é o pâncreas. Se isso não estiver funcionando, dificilmente a pessoa fica sabendo antes de ter alguma complicação e de simplesmente um profissional dizer: olha você não pode mais comer açúcar. Entre os sintomas do aumento do "açúcar no sangue" estão: sede, frequente vontade de urinar, fome voraz; perda de peso rápida e sem explicação, cansaço, dor de cabeça, enjoo, etc. Também há sintomas quando é "açúcar baixo" (hipoglicemia) e esses são: tremores no corpo, tontura, suor frio, sensação de cabeça “leve”, sonolência, palidez, palpitação ou coração acelerado (taquicardia), náusea e vômito. Isso tudo não é uma brincadeira, muita gente morre ao sentir os sintomas de forma tardia. É tanta informação sobre o assunto que eu vou tentar resumir o máximo que puder, para que você meu leitor não se canse das minhas palavras e acabe deixando de ver o que há de mais importante neste texto, leia até o final. Na sequência vou falar da glicose integrando todo o corpo humano, parte por parte!


Vamos começar pela cabeça, onde temos a mente e a consciência. O órgão comandante que é o cérebro, este utiliza mais ou menos 20% da energia que o corpo produz através da glicose, e para isso necessitamos que a mesma esteja disponível em doses equilibradas, sem excesso e nem falta. Mas, se precisamos da glicose segundo a literatura, qual a razão nas palavras e pesquisas de um cientista e professor chamado David Perlmutter, do Instituto de Medicina Funcional em Washington que é categórico ao dizer que os carboidratos e a glicose são prejudiciais para a saúde do cérebro? Bom, com a minha prática clínica e uma longa observação dos sintomas através de anamnese com associação da analise dos exames bioquímicos dos meu pacientes, posso afirmar que quando existe um excesso de açúcares no sangue e no intestino, há uma queda no desempenho cognitivo. Como você se sente está diretamente ligado a glicose liberada pelo organismo para o cérebro: curiosamente quanto mais tristes, desorientados, sentindo medo ou estressado(a) estamos, maior a necessidade de glicose. Pessoas realizando tratamentos para insônia, ansiedade e depressão com a utilização de medicamentos devem estar acompanhando os níveis de glicose diretamente com um profissional e buscar ter um estilo de vida com atividade física e boa alimentação, visto que podem gerar hipoglicemia inibindo a disponibilidade de glicose que é realizada pelo organismo. Não pense que ficar mais calmo(a) é por mágica, o cérebro recebe menos energia e isso tem alguns efeitos colaterais e consequências a longo prazo, mas este é um assunto para outra hora. Se você sente fome a todo momento, vontade de comer doces para se sentir bem, é um sinal de que o mecanismo de controle glicêmico não está funcionado muito bem, por mais que você coma carboidratos e açúcares, o cérebro não vai aproveitar e nem segurar bem essa energia.


As funções do sistema mastigatório são variadas sendo de grande importância para o processo de digestão e sequencialmente disponibilidade da glicose. Pasme: é o quanto você mastiga que vai determinar se você vai ter um bucho grande ou não! É o natural mastigar bem e secretar sucos gástricos na quantidade suficiente para uma absorção adequada, só que muita gente engole a comida, nem há tempo para o organismo entender que está chegando alimento, liberar a insulina e ativar o sistema digestivo. Na boca, a saliva já inicia o processo de digestão, uma enzima chamada amilase salivar quebra os amidos, como por exemplo arroz, frutas, tubérculos, etc. Não é por acaso que pessoas que comem devagar, tendem a engordar menos, observe. Então se você quer ter uma glicemia equilibrada, comece a mastigar melhor os alimentos, facilite a digestão. Vários hormônios, incluindo a insulina produzida pelo pâncreas, são liberados e sinalizam ao resto do organismo que o alimento está chegando. A flora bacteriana se modifica negativamente, ou pela alteração da movimentação intestinal ou pela dieta rica em carboidratos simples. Então se você tem alterações em hormônios do controle da fome(grelina) e da saciedade(leptina) existe uma grande tendência de que a insulina também venha a ter uma resistência ou baixa produção, assim como pessoas que fazem tratamento para gastrite, tem lesões intestinais ou hipersensibilidade nessa região, essas tendem a serem acometido(as) por um dos maiores problemas de saúde do ser humano: estômago e intestino debilitados.


Sequenciando: comemos carboidratos, são transformados em glicose em nível intestinal e transportados para corrente sanguínea. Então se comer mais carboidratos do que é possível ser transformado e transportado em um x espaço de tempo, isso vai virar glicogênio, que é uma sobrecarga para o fígado. Estamos chegando ao ponto chave do emagrecimento e parabéns quem ficou até aqui, é entender que se você consumir menos carboidrato do que você utiliza no dia-dia, você vai ter uma homeostase glicêmica e consequentemente menos excesso de glicogênio hepático. Muitos podem dizer: "Eu já sabia disso, que comer menos carboidrato do que "precisa" resulta no emagrecimento!". Mas, se todos soubessem disso a obesidade não seria tão crescente no Brasil e no mundo, assim como patologias ligadas ao excesso do consumo de docinhos, não seriamos o quinto país com mais diabéticos diagnosticados. Então eu quero te ensinar de vez, de uma forma clara e rápida como você pode ter um controle glicêmico adequado, ter mais saúde e precisar menos de medicamentos para viver e ser feliz! Vamos aos 10 pontos de atenção e mecanismos universais de controle glicêmico associados ao emagrecimento:


  1. O aumento de triglicerídeos(gordura) no sangue está diretamente ligado a quantidade de açúcar que você come e estes devem estar em equilíbrio para facilitar a boa circulação sanguínea. O aumento da eliminação de gordura e boa absorção de nutrientes depende da coagulação do sangue

  2. Pesquisas do Laboratório de Nutrição e Metabolismo da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP revelam que a creatina ajuda a controlar a taxa de açúcar no sangue, elevada em diabéticos.

  3. Suplementação com L-glutamina associada ao treinamento aeróbio moderado aumenta a tolerância à glicose.

  4. Na anemia ferropriva observou-se um aumento da substância malondialdeído que foi relacionada com o aumento da glicação da hemoglobina e consequente elevação dos valores na dosagem de hemoglobina glicada independentemente dos níveis da glicose no sangue(NGPS, 2019). Então não adianta muito entrar em processo de emagrecimento sem antes olhar como estão as reservas de vitaminas e minerais.

  5. Estudos recentes sugerem que a vitamina C, além de desempenhar papel antioxidante, possa contribuir no controle glicêmico na diabetes. Por isso se é utilizado na nutrição ativos que tem boas concentrações dessa vitamina para melhorar o processo de redução de tecido adiposo.

  6. O músculo é o tecido mais capacitado para controle da glicemia, faça musculação e reduza a tendência de acúmulo de gordura abdominal.

  7. No exercício exaustivo (aeróbico) existe o chamado estresse predomínio simpático e que não é muito útil na glicemia sérica, mas é excelente para o funcionamento do fígado e liberação das reservas, contribuindo para o emagrecimento. A sua idade é a do órgão mais debilitado!

  8. Carboidrato não engorda. O que engorda é o excesso!

  9. Medicamentos que influenciam na absorção da glicose ou insulina podem fazer emagrecer momentaneamente, mas não esqueça que as células, fígado e pâncreas, estão sofrendo também.

  10. Evite comer em horários próximos de dormir, assim como sucos, café com açúcar, frituras, industrializados e reduza níveis de estresse.



NUTRICIONISTA

JAYME ASSUNÇÃO

CRN 11090

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