Até que ponto o leite faz bem?

Atualizado: 17 de Nov de 2021

A origem do leite vem da maternidade, seja ela em humanos ou animais. Durante a gestação existe um comando de vários hormônios que começam a agir no corpo da mulher, vaca ou leoa. O estrógeno e progesterona são secretados pela placenta fazendo com que as mamas fiquem maiores, mais sensíveis e ainda com seus vasos sanguíneos dilatados. A produção do leite propriamente dita só tem início após o parto, quando outros hormônios, como a prolactina e a ocitocina iniciam o seu trabalho. Esse líquido é rico em gordura, sais minerais, vitaminas e substâncias essenciais que protegem contra doenças e fornece todos os nutrientes necessários para um crescimento saudável, sendo o principal alimento na fase inicial da vida, principalmente quando ainda não há uma formação completa da primeira dentição, impossibilitando alimentação por outros tipos de alimentos com uma absorção de nutrientes eficiente. Segundo a conclusão de um estudo recém-publicado na revista The Lancet, uma das mais conceituadas publicações no meio científico é que o leite humano é “vivo”. Ou seja, sua composição se modifica a cada mamada acompanhando as necessidades do bebê.


A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação exclusiva por seis meses. Após os seis meses, recomenda que o leite materno continue sendo oferecido em parceria com a alimentação complementar. Contudo, podemos observar que existe um grande consumo do leite após esse período, durante a adolescência, fase adulta e terceira idade. O problema começa com uma ausência da necessidade nutritiva desse tipo de alimento nas fases sequentes da vida infantil, sendo outros alimentos, os mastigados, mais importantes para funções metabólicas como produção hormonal, bom funcionamento da digestão e proteção da massa muscular.


Na sequência podemos discutir a fonte de leite utilizada na alimentação mundial, o industrializado. Poucas pessoas ainda consomem leite diretamente da vaca, em sua grande maioria, as grandes empresas fornecem para supermercados um leite artificial com conservantes e embalagens que liberam produtos químicos para o líquido que é armazenado. O formol é a principal discursão quando o assunto é relação do leite de caixa e o câncer, considerado pela OMS uma substância cancerígena para humanos, enquadrando-se no grupo 1, ou seja, com fortes evidências de carcinogênese em humanos e em animais. Pesquisadores da Universidade de Brasília desenvolveram um teste bem simples para o próprio consumidor saber se um produto tem ou não formol: Fitas de papel que já vêm com reagente e mostram o resultado em dois minutos. "É só pegar o papel, pingar uma gota do produto, ele vai dar uma cor e se for uma cor roxa, no caso, vai dizer que tem formol. Então, você sabe que naquele produto tem formol", explicou Guilherme Bandeira, aluno de doutorado.


Em 2011 quando o departamento de nutrição da universidade de Harvard nos EUA limitou o consumo de leite e seus derivados na sua nova pirâmide alimentar, a notícia foi como uma “bomba“ no campo da nutrição. Uma das causas dessa limitação ao leite seria devido a existência de alguns estudos que correlacionam o consumo do leite com câncer de mama e de próstata. O estudo de Hegsted et al (2001) publicado no AJCM mostra que produtos lácteos não fazem parte da dieta da China e do Japão, e esses países possuem duas das menores taxas de osteoporose do mundo. Outro estudo de Feskanich et al (2003) publicado no AJPH mostra que o consumo do leite parece não estar associado com prevenção de fraturas ósseas, e mostra que os maiores consumidores de leite no mundo (EUA, Canadá e Austrália) possuem, também, a maior incidência de osteoporose. O mais curioso está no fato de que o cálcio isoladamente presente no leite não seria um determinante na prevenção da osteoporose, como mostra o estudo de Michaëlsson K et al (2014) publicado no BMJ.


Uma ingestão diária ou frequente de leite pode ter efeitos indesejáveis, porque ele é a principal fonte alimentar de galactose. Evidências experimentais em várias espécies animais indicam que a exposição crônica à galactose é deletéria à saúde e mesmo uma do